ARAUTOS DA DESGRAÇA
11 Junho 2008Os Arautos da Desgraça estão espalhados por todo o lado: pelas famílias, pelas empresas, nos serviços públicos. É muito provável que você tenha amigos assim que à primeira vista até parecem boas pessoas.
Os Arautos da Desgraça, têm, contudo, a particularidade de serem facilmente detectados. Ainda não acabamos de os cumprimentar e, sem cerimónias, já estão a contar a sua última desgraça, infortúnio ou preocupação. Atenção, isto é o isco! Se por acaso você se sente compelido a ajudar ou tem pena da pessoa então é tarde demais, já está apanhado. Você propõe uma solução ou um apoio e ouve a seguinte resposta… “Isso não dá porque sou/estou…” (pode escolher o seguimento da frase: velho, novo, homem, mulher, não tenho estudos, tenho estudos, empregado desempregado, sem saúde, já não posso com as pernas, gordo, magro, etc) ou pode ouvir outra resposta preferida que é: “Então querias que eu fizesse…” como se fosse a coisa mais horrenda e impossível do mundo. Em geral você começa a sentir um certo desconforto devido à impotência em ajudar a pessoa ou com a sensação que até está a contribuir para que ela fique pior, pela resposta que ela deu às suas sugestões. Se você morde o isco desta conversa, vai caindo lentamente, sem se aperceber num estado de abatimento, de mau estar e desconforto difícil de explicar. No fundo você começa a ficar como eles, a sentir-se em baixo. Deste modo os Arautos da Desgraça já não se sentem sozinho, encontraram companhia, alguém que está a sentir-se mal como eles. Não ficam como problema resolvido ou com a situação transformada mas pelo menos já não estão sós. Assim podem ambos chafurdar na pena mútua e ter alguma satisfação no reconhecimento mútuo, ficando a terem pena um do outro e a ficarem preocupados um com o outro (como se isso fosse bom ou resolvesse algo).
Caso tenha sido capaz de superar este primeiro embate não dê a entender que mantêm a sua positividade intacta. Mas caso transpareça uma certa positividade ou confiança nas coisas, pode contar certamente que vai ouvir com uma previsão catastrófica de mau agouro para o seu futuro. O Arauto da Desgraça vai logo buscar um assunto que ele sabe que é um assunto sensível para si: ou que não vai ter dinheiro, ou que não vai conseguir aquilo que quer, que é tarde de mais, que é velho demais, que já não tem saúde suficiente, que as pessoas não vão gostar, que é muito difícil, que as coisas vão piorar, etc. Neste caso não vale a pena argumentar pois aquilo que o Arauto da Desgraça diz é um “facto” e “aliás toda a gente sabe que é assim”. O que ele quer dizer é que a sua visão negra do mundo não tem opção (aliás é assim que ele se sente na vida) sem saída. É uma “realidade” (a realidade dele que se apressa a distribuir igualmente por todo o mundo).
Um dia que seja aceite que o bem estar emocional e energético é um direito de todos nós, talvez aí estas pessoas possam ter o apoio e a terapia adequada para que possam ter uma vida mais feliz e funcional, deixando de levar a trás de si pessoas inocentes para o seu poço sem fundo de abandono, desolação e desespero. Até que isso aconteça muita negatividade vai circular por aí e, a melhor coisa a fazer, para não cair na tentação de morder este isco negro, é estar atento, consciente do que se passa, do nosso campo energético, profundamente enraizado na terra e presente no aqui-e-agora.

Publicado por heroidentrodenos

